Por David Fernandes da Silva
A atuação do crime organizado, sequestros de empresários e executivos, invasões à mão armada, uso de explosivos, arrombamentos e furtos praticados por funcionários, além dos riscos do próprio negócio, fizeram muitas empresas proteger também seu patrimônio, pois sofreram ou poderiam vir a ter algum prejuízo futuro, por qualquer ocorrência dessas ameaças.
Para se prevenir, as empresas perceberam que necessitavam das recomendações de um especialista em segurança empresarial, seja ele funcionário ou um consultor externo.
Quando essa "função" tem autonomia e apoio da alta gestão, poderá reduzir muito os riscos, prejuízos e perdas existentes de todas as áreas e operações. Há casos em que o sucesso da gestão de segurança chega em até 90% de redução de riscos e prejuízos.
Desta forma, alguns empresários descobriram que essa eficácia era a nova ferramenta para garantir seus lucros, evitando perdas, surgindo aí a demanda por esse tipo de profissional.
Mas, o que é preciso para ser um Gestor de Segurança Empresarial? Formação específica ou ter sido um militar das forças armadas ou um ex-policial civil?
Vamos entender então o Papel do Gestor de Segurança.
As principais atribuições de um gestor de segurança podem ser: elaborar a análise de riscos visando apresentar as principais ameaças à organização, seus impactos no negócio, a probabilidade de ocorrência, os possíveis valores de perda máxima se o evento ocorrer; recomendar e planejar as medidas preventivas e os valores de investimento, demonstrando os benefícios e o retorno.
O gestor precisa deixar bem claro quanto será o prejuízo versus o valor do investimento para demonstrar à diretoria que vale à pena investir em segurança. Além disso, elaborar a política e os planos de segurança (estratégico, tático e operacional) visando proteger à vida, o patrimônio e restaurar as atividades normais da empresa.
Também faz parte de suas responsabilidades elaborar os orçamentos de segurança, visando apresentar as melhores soluções (custos x benefícios) do mercado. O gestor é quem deve analisar os fornecedores, seus produtos e serviços e passar para o setor de compras somente fechar a negociação com o fornecedor selecionado.
Dependendo do porte e da cultura da empresa, a função do gestor de segurança é, em alguns casos, atribuída a um gerente de TI, RH ou Financeiro. Dessa forma, pelo acúmulo de atividades e falta de conhecimentos especializados, torna-se limitada, ou seja, está simplesmente mais voltada para compra de equipamentos e administrar serviços de segurança.
O ideal é que o gestor de segurança atue, de forma estratégica e com visão holística, em todas as áreas e operações da empresa como apoio (staff) e deve reportar-se direto ao Vice-Presidente ou assessorar o Presidente. Alguns exemplos: junto com o RH, estabelecendo critérios de contratação e seleção de novos candidatos, análise e verificação do histórico escolar e dos últimos empregos, participar de determinada entrevista para análise do perfil e comportamento e na conscientização da política de segurança para novos funcionários; na Logística, gerenciamento de riscos no recebimento de mercadorias e no transporte para determinada região; com TI, englobando processos e pessoas, proteção de segredo comercial, classificação das informações e quem deve ter acesso a elas; com Jurídico, visando contratos específicos para redução de riscos internos e externos; com o Presidente e alta direção da empresa, analisando os riscos do caminho de ida e volta da residência para o trabalho e das vulnerabilidades da residência e dos familiares para elaborar um plano de segurança pessoal; com Engenharia, na construção de uma nova sede, realizando o diagnóstico de segurança da região, vizinhança, localização, lay-out, acessos, materiais de construção e planejar os recursos humanos, tecnológicos e procedimentos necessários para uma segurança adequada.
Além de trabalhar no ramo empresarial, o gestor de segurança pode atuar de forma mais específica em segurança pessoal, segurança em logística, prevenção de perdas no varejo, sendo um funcionário de uma organização ou até um consultor externo.
O mercado dessa área de atuação tem dado preferência para pessoas pró-ativas e dinâmica, com formação universitária, inglês, pós-graduação em segurança empresarial e até como fator decisivo uma certificação como diferencial, pois essa função trabalha-se com a prevenção e não se esperar acontecer. Quem trabalha com segurança tem que estar preparado para diversas situações que podem ocorrer no dia-a-dia, tais como um assalto ou uma emergência.
É importante conquistar alguma certificação em segurança para comprovar seus conhecimentos. Hoje há duas certificações nacionais: CES - Certificado de Especialista em Segurança pela ABSO (Associação Brasileira de Segurança Orgânica), que exige três anos de experiência em segurança empresarial e 2º grau completo, e a ASE - Analista de Segurança Empresarial pela ABSEG (Associação
Brasileira dos Profissionais de Segurança). Nesta última há exigência da formação em curso superior. Se for em qualquer área, exige mais 6 anos de experiência no ramo de segurança ou 4 anos se tiver exercido cargos de chefia ou gerência de segurança; o profissional, que trabalha como gestor de segurança, precisará de apenas 2 anos na função, se possuir um curso de pós-graduação/MBA em segurança para prestar o exame.
Entretanto, há outra certificação que agrega muito conhecimento, e que é considerado um dos maiores títulos almejados pelos profissionais de segurança, é o CPP - Certified Protection Professional, ou seja, Profissional de Proteção Certificado pela ASIS (American Society For Industrial Security). Trata-se de uma certificação internacional existente há 25 anos, com apenas 12.500 no mundo, espalhados em 40 países. Além das certificações acima, para é bom fazer cursos específicos na área de segurança empresarial, tais como: investigações, fraudes, inteligência competitiva, segurança pessoal, sistemas de segurança eletrônica, técnicas de contra-espionagem, prevenção de incêndios, etc. Também deve-se agregar cursos de: inglês (muito exigido hoje), liderança, gestão de projetos, pessoas entre outros.
Por se tratar de um Gestor de Segurança Empresarial contribui muito para o desempenho eficaz das suas funções a formação universitária em Administração de Empresas, porque esse gestor tem que entender de processos, pessoas, finanças e orçamentos, planejamentos, metas e objetivos, para que a segurança seja uma estratégia do negócio para que aumentar o lucro, reduzindo perdas e riscos.
Até 2009, o cargo de gestor de segurança não era oficialmente reconhecido. No ano passado, fui convidado pela FIPE, onde com outros profissionais, sugerimos as atividades para a criação desse cargo. Desta forma, em janeiro deste ano foi criado o 1º cargo, chamado de Gestor em Segurança, nível tecnólogo, sob o código nº 2526-05, na CBO - Classificação Brasileira das Ocupações.
Uma conquista inicial que contribuirá para os futuros gestores e para o mercado.
O articulista pode ser contato pelo site www.consultordesegurancacpp.com.br
Sobre o Autor
David Fernandes da Silva, CPP, é Consultor de Segurança Empresarial, Diretor do 1° Portal do Gestor de Segurança Acadêmico (www.gestorseg.com.br). No Brasil, é o 29º CPP - CERTIFIED PROTECTION PROFESSIONAL (Profissional de Proteção Certificado). Também é Pós-Graduado no MBA em Gestão Estratégica de Segurança Empresarial e Bacharel em Administração de Empresas. Foi professor de Tecnologias Aplicadas à Segurança do curso superior de Gestão de Segurança Privada na UNIP e Anhanguera. Foi palestrante no III CIS - Congresso Internacional de Segurança na EXPOSEC 2007 e Membro do Conselho Consultivo do IV CIS da Exposec 2008. Foi entrevistado pelas mídias: Jornal da Record, Programa Fala Brasil, TV Bandeirantes de Vitória-ES, Revista EXAME, VEJA, Infra, Construir, Arquitetura & Construção, Jornal Folha de S. Paulo, Diário de S. Paulo, Diário do Comércio, O Estado do Paraná, Diário de Pernambuco, Jornal de Brasília. É articulista do Jornal da Segurança e 2º Diretor de Relações Públicas da ABSEG (Associação Brasileira dos Profissionais de Segurança). É autor do livro Segurança em Arquitetura e Construção - Construindo Empreendimentos Mais Seguros e co-autor da Cartilha do Consumidor ABESE para a compra de sistemas eletrônicos de segurança.
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