Por Jeferson D'Addario
Redes sociais ou de negócios? Segurança ou Invasão de Privacidade? Padronização ou Multiplataforma? Inclusão digital ou inclusão sociocultural? Talvez muitas destas perguntas estejam em sua cabeça neste momento e mesmo lendo muito ainda não tenha encontrado a resposta, porém a pergunta que lhes faço é: Vocês estão preparados para o futuro?
Em poucos anos, a Internet tornou-se a maior revolução da humanidade. Mais rápida, mais abrangente, algo que permite aos cidadãos do mundo todo um meio, um caminho, um mundo virtual fácil de acessar e interagir. Algo que permite trabalhar e ao mesmo tempo socializar, interagir, curtir, ver ou falar com a família e amigos, ouvir músicas e ver vídeos, certo? Errado, é ainda mais do que isto.
É algo que permite enviar uma proposta para um cliente, falar com o chefe e deixar aguardando a esposa no link minimizado, sem ser deselegante ou mal educado. Além de ouvir, podemos produzir vídeos e animações em tempo real e disponibilizar, sem intermediários ao mundo, nosso próprio canal de mídia e socialização. É a democracia ao extremo! É a potencialização da critatividade e da informação.
Temos cidades totalmente conectadas como a pequena Issy-les-Moulineaux, na França, chamada de cyber-cité pelos seus moradores. Lá os filhos conversam com os pais por webcams nas creches públicas. Cartórios emitem digitalmente certidões de casamento e nascimento, e existe conexão sem fio gratuita em todos os espaços públicos.
As empresas correm contra o tempo para se conectarem aos clientes que já estão conectados, porém, em canais que antes as empresas não entravam. Já não há limites para o mundo físico, profissional e virtual. As empresas querem, antes de mais nada, entender o comportamento do seu novo consumidor, que as vezes mal sabe escrever seu nome, mas, sabe digitar endereços de websites (páginas na internet) em um browser (navegadores para acesso a Internet).
Consumidor este que desde pequeno vive intensamente dois mundos, porém, abre suas emoções, sentimentos, sonhos e anseios no virtual que é ilusoriamente mais PRIVATIVO, pois, infelizmente o mundo real as vezes não é tão hospitaleiro e livre. Nem sempre o mundo real é discreto e sigiloso como o virtual. Pena que estes jovens e famílias não sabem que no virtual tudo se vê, e tudo se escuta! Parece algo livre, mas, vicia, as vezes condena.
Com a Internet temos um novo caminho. Talvez o caminho mais rápido para a socialização sem fronteiras, para realmente através das redes sociais integrarmos e entendermos os consumidores, acionistas e investidores e promover ações globalizadas e interativas, promover a disseminação do conhecimento e da educação. Ao mesmo tempo, temos um terreno virtual que cria personagens fora da nossa realidade e alguns se sentem no direito de cometer crimes e excessos. Ué! Isto não é comum na sociedade? Não é assim no mundo físico? Qual a diferença? Pedofília, morte, enganadores, fraudadores e outros já não existiam?
Teremos 40 milhões de usuários no Messenger e 10 milhões no Twitter em breve. O marketing e a mídia como conhecemos será baseado no end-point, ou seja, no consumidor final que estiver conectado na ponta.
Não há como voltar atrás. Temos que conviver com esta nova realidade sociocultural que une os homens não por sua classe social ou poder econômico, mas por sua popularidade no twitter, ou capacidade de atualização no facebook, ou ainda por sua extensa lista de contatos no linkedin. Até nerds que não gostam de falar ou interagir socialmente, apenas com a turma do RPG, estão altamente sociais na Internet. Olha que revolução!?
Hoje pode-se difamar um professor por que deu um bronca num aluno para milhares de pessoas e prejudicar sua imagem rapidamente, sem sequer sair da reunião de pais. Ou zombar daquela amiga orelhuda, do cara narigudo ou ainda humilhar tanto um amiguinho que ele tenta o suicídio por não conseguir mais ficar algumas horas livres da escola, pois, a escola anda com ele, ou melhor, os amiguinhos andam com ele nos dois mundos que ele vive.
Um garoto inglês, Vijay Singh de 13 anos, foi encontrado morto num Sábado, enforcado em casa, em Manchester - Inglaterra, em 1997, e em seu computador haviam as seguintes anotações: 2a. Tiraram meu dinheiro, 3ª feira - Me xingaram, 4ª feira - Rasgaram meu uniforme, 5ª feira - Meu corpo está coberto de sangue, 6ª feira - Terminou , Sábado - Liberdade!
A eduacação mudará ainda mais, e a nova Universidade vem ai e teremos em:
- 12 meses - Computação Móvel e Conteúdo Aberto,
- 3 anos - Livros eletrônicos e realidade aumentada,
- 5 anos - Computação gestual e Interdisciplinaridade.
Essas 6 tecnologias foram publicadas no Horizon Report 2010, relatório de tendências, publicado pelo consórcio New Media e Educause Learning initiative (ELI), segundo O Estado de São Paulo em 24 de Janeiro de 2010, por Ethevaldo Siqueira.
Conforme a TI Inside OnLine em 19 de Março de 2010, mesmo com todos estes fatores socioculturais que apontam uma nova realidade às empresas brasileiras, elas ainda não aderiram as redes sociais, e as razões apontadas foram:
- Não ter uma estratégia definida (20%),
- Receio de se expor (20%),
- Não ver benefícios para o B2B (17%),
- Não dispor de estrutura interna (17%) e
- Restrições de segurança (12%), entre outras justificativas.
Na pesquisa, foram pesquisadas as 500 (quinhentas) maiores empresas brasileiras, 19% delas disseram ter interação parcial, 29% interação total e 52% declararam não interagir na web 2.0. Entre as empresas que interagem em redes sociais, 24% estão no Twitter, 22% no Orkut, 17% no Facebook e o restante distribuídas entre LinkedIn, MySpace, Yahoo, YouTube, Second Life, Flickr e blogs, conforme a TI Inside OnLine.
Talvez alguns fatos ainda assustem as empresas brasileiras, como por exemplo uma página no Facebook que indica portadores de Down como alvos de tiro, em Roma. Onde políticos e ativistas denunciaram uma página na rede social Facebook que indica o uso de crianças portadoras de síndrome de Down como alvos para prática de tiro. A Polícia investiga para descobrir o criador da página, que mostra a foto de um bebê com síndrome de Down com a palavra "idiota". Na noite de domingo 21 de Fevereiro de 2010, a página tinha quase 1.700 membros. O site propõe o que chama de "solução fácil e divertida para se livrar das repugnantes criaturas", conforme reportagem da Folha On Line de 22 de Fevereiro de 2010 por France Press em Roma.
"In Medio Stat Virtus", tradução latina do conceito de Aristóteles, que significa: A virtude está no meio. Creio que teremos que usar cada vez mais todos estes recursos socioculturais e ter o bom senso e EQUILÍBRIO para dosar o que é certo e errado, o permitido e o não permitido. Assim como nossos pais colocavam horário para ficarmos na rua até tarde, ou brincar somente depois de fazer a lição de casa ou a restringir certas pessoas e grupos. Estavam errados?
Algumas dicas de segurança da informação SOCIOCULTURAL:
1. Segurança da Informação não deve ser assunto somente das empresas na relação profissional;
2. Leve para casa, é responsabilidade da FAMÍLIA!;
3. As campanhas de divulgação de Política de Segurança da Informação devem abranger recomendações para a vida pessoal dos funcionários;
4. Crie comunidades de discussão entre os funcionários nas redes sociais. Crie canais nas redes sociais para que troquem idéias e discutam problemas de SI;
5. Crie material na Intranet com orientações mínimas de segurança e riscos da Internet para a vida pessoal dos funcionários, ou uma cartilha em linguagem simples, fácil de ler!;
6. Você realmente está monitorando seus filhos? Que grupos e redes sociais ele freqüenta?
7. A maioria das brigas de torcidas uniformizadas acontecem com arranjos via Internet. Muitos dos envolvidos fazem isso de dentro do ambiente de trabalho. Não ache que só filhinho de papai tem computador hoje!;
8. Socialize a segurança da Informação. É segurança da informação e não da tecnologia da Informação;
9. Use as redes sociais para monitoramento de apoio dos seus funcionários. Monitore equipes críticas de TIC e Desenvolvimento de Sistemas;
10. Se seus funcionários não sabem utilizar estes recursos, ensine-os. A Educação sempre foi a solução para muita coisa, basta você clicar!
Enfim, preparados para o futuro?
Sobre o Autor
Consultor Sênior em Gestão de Riscos e Continuidade de Negócios. Certificado como CBCP - Certified Business Continuity Professional pelo DRII - Disaster Recovery Institute international - USA, como ISO 27001 lead Auditor pelo BSI - British Standard institute - UK, CobiT Foundation pelo ISACA-USA. É Sócio diretor da DARYUS Consultoria e Treinamento Brasil. Experiência de mais de 10 anos em TI e Gestão de Riscos com projetos realizados para grandes empresas como Vale do Rio Doce, EDELCA Venezuela, MBR, Natura, Bovespa, Grupo Ultra, Visanet, GVT entre outras empresas líderes no mercado nacional. Formação em Economia e TI. Recebeu o prêmio SECMASTER 2006 na categoria Melhor Contribuição para o Desenvolvimento de Mercado, concedido pela ISSA - Information Security and Systems Association - USA.É Coordenador e professor do curso de Pós-Graduação em Gestão e Tecnologia em Segurança da Informação pela FIT - Faculdade Impacta de Tecnologia em São Paulo - SP.
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