Por Marcos Assi
O tema é polêmico e motivo de discussão acadêmica e profissional. E mais uma vez evidenciamos que o assunto é muito dependente da vontade da organização (do entendimento sobre o assunto) ou pela imposição dos órgãos reguladores.
Mas por que é tão difícil o aprimoramento da tão falada cultura organizacional? Falta maior comprometimento do conselho? Da alta administração e dos gestores? E os colaboradores estão preparados para participar? Sim, a participação dos gestores da organização é de suma importância, pois comumente o exemplo vem de cima ou deveria começar pela alta administração.
Mas, o que é realmente cultura organizacional? A cultura organizacional ou também conhecida como cultura corporativa é o conjunto de hábitos e crenças estabelecidos por meio de políticas, normas, valores, procedimentos e expectativas compartilhadas por todos os membros da organização vale a pena ressaltar por todos os membros da organização.
Deparamos-nos em nossa vida acadêmica e profissional a ausência de cultura, por exemplo, para os pronunciamentos contábeis internacionais. É evidente a ausência no mercado de profissionais com capacitação para aplicação de referidos pronunciamentos. É válido salientar que o USGAAP (Princípios Contábeis Americanos) e o IAS (normas contábeis padronizadas) já estão inseridas nas empresas com sedes e negócios nos Estados Unidos, Europa e Ásia, sem contar em empresas brasileiras com matrizes no exterior. Mas, por que estamos assim, um tanto desconfiados com isso?
A resposta não é tão complexa. Não existiam até o ano passado cursos confiáveis com temas sobre contabilidade internacional, com exceção dos in-company ou em pós-graduação. Mas será suficiente? Acreditamos que não, pois somente auxilia em identificar o caminho das pedras. Porém, os cursos de graduação deveriam inserir a disciplina em sua grade curricular com maior carga horária, para que nos próximos quatro anos tivéssemos profissionais de contabilidade com um mínimo de conhecimento na área.
E quando nos referimos a Gestão de Riscos? Existe cultura empresarial para identificação, aplicação e validação dos riscos? Existem algumas empresas preocupadas com o assunto, mas enfrentamos muita resistência e por esse motivo os profissionais de riscos e compliance tem sentido na pele a ausência desta cultura organizacional para riscos e controles. O esforço é muito grande, afinal, a ausência de clareza de objetivos, dos valores e principalmente dos princípios demonstram se a empresa tem suas questões bem definidas, formalmente estabelecidas e orientadas para médio e longo prazo.
Entretanto, quando a empresa tem como princípio responsabilidade corporativa e social e uma boa gestão do seu negócio, a implementação de métodos preventivos dos riscos corporativos são mais bem encarados e realizados. Mas, a empresa para dar certo deve fazer com que todos os funcionários tenham acesso aos seus objetivos, deve definir os valores e princípios, quando possível revisado periodicamente. Isso auxilia no processo de mudança e seu retorno pode ser de médio prazo, caso bem divulgado e aplicado.
Não será da noite para o dia que vamos mudar a cultura da organização, mas devemos implementar gradualmente este conceito no gestores do negócio, e sempre que possível apresentando fatos relacionados ao negócio que necessitam de melhores controles, minimizar riscos, maximizar resultados financeiros e contábeis. Não podemos esquecer o processo de continuidade do negócio e dos planos de recuperação de crises e desastres, necessários em momentos inesperados, alheios a nossa vontade.
Portanto, a cultura organizacional não pode ficar somente nos discursos, livros e artigos, deve ser implantada, aprimorada e divulgada, para que todos, mas todos mesmo, na organização entendam os motivos de controles e resultados mais eficientes e com qualidade. Afinal, aprimorar a cultura é responsabilidade de todos na organização.
Sobre o Autor
Mestrando em Ciências Contábeis e Financeiras pela PUC-SP, Bacharel em Ciências Contábeis pela FMU, com Pós-Graduação em Auditoria Interna e Pericia pela FECAP. Diretor e Líder de pratica da divisão de Governança Corporativa, Riscos Financeiros e Compliance da Daryus Consultoria e Treinamento. Realizou com sucesso o Start-up (instalação e implementação) das áreas de Controladoria e Compliance do Banco JBS S.A. (abertura em 07/2008) e do Banco da China Brasil S.A. (abertura em 07/2009), no que tange a projeto e produção. Coordenador e professor do curso de MBA em Gestão de Riscos e Compliance e professor do MBA de Contabilidade e Controladoria e do MBA Gestão Tributária da Trevisan Escola de Negócios. Professor de MBA da FIA (Fundação Instituto de Administração - Labfin), da Saint Paul Escola de Negócios, do Centro Paula Sousa - FATEC, da Universidade de Sorocaba - UNISO e da Universidade de São Caetano do Sul - USCS/IMES. Professor de Pós-Graduação da FIT - Faculdade Impacta de Tecnologia - GTSI e do Centro de Ensino Superior de Dracena. Autor do livro "Controles Internos e Cultura Organizacional - Como consolidar a confiança na gestão do negócio" - Saint Paul Editora - 2009 Academic Advocate do ISACA e membro do IBEF. Colunista da Financialweb para gestão de riscos e da Revista e TV Moeda Viva para prevenção a fraudes.
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